Inspiration Board

Inspiration_Corkboard

E finalmente estou com minha sala arrumada, com uma mesa de trabalho espaçosa, e o PC funcionando a pleno vapor. Agora acabaram-se as desculpas para não postar… vou ver se acalmo meu senso de linearidade nos próximos dias, recuperando o atraso. Já escaneei a maioria do meu novo sketchbook, mas ainda preciso dar fim ao antigo. Vamos a isso, portanto; mas antes…

Decidi postar algo diferente hoje. A ideia foi descaradamente copiada do meu querido Grant Hillier; ao visitar sua casa, fiquei maravilhada com o seu ‘quadro de inspiração’, visto logo ao abrir-se a porta. Segundo ele, a ideia era exatamente essa, a de ter algo inspirador bem à vista, mal se entrasse em casa. Aquilo pareceu-me esplêndido e decidi fazer algo semelhante em meu novo apartamento.

O meu quadro acabou virando uma espécie de ‘tríptico’, mas como sou exagerada mesmo, acabei gostando dele ter ficado assim. Penso que é uma maneira bem clara de exibir minha ‘personalidade artística’. Então, falarei um pouco dos ‘porquês’ aqui.

No canto esquerdo, tenho o meu calendário. Acho que estou ficando velha e não acompanhei muito bem a tendência de utilizar-se o smartphone como agenda; ainda gosto de escrever, e tenho muito apreço por esse hábito vintage de marcar eventos num calendário de papel, pregado na parede. E o tema é Mucha, claro, porque ele nunca é demais. Em meus estudos no novo sketchbook, tenho buscando aprimorar minha linha, e a de Mucha é tremendamente inspiradora por sua delicadeza e voluptuosidade.

No canto direito, um quadrinho garimpado numa loja de usados; chamou-me a atenção por conter um dos ignudi de Michelangelo, e como está claro, adoro gente nua na História da Arte.😛  E ao achar esta enorme chave decorativa, na mesma loja, achei que ela formaria um excelente pendant com o quadro, em vez de minhas prosaicas chaves de casa.

Agora o centro, o quadro principal. Sempre fui uma colecionadora de bugigangas, desde criança; e tal qual um corvo, tenho enorme atração por coisas brilhantes. E estando aqui, rodeada por um inverno rigoroso e de cores mortas, tenho sentido cada vez mais intenso o desejo por paletas chamativas. Também desejava fazer uma mistura de materiais, daí a profusão de papel, vidro, pedra, metal e corda. Acho que dá para notar tudo isso ao ver-se como o quadro foi composto.

Os nós panchang vêm do apreço que tenho pela Ásia; amo o desenho intrincado e a paciência com que são produzidos esses nós maravilhosos, assim como o tom berrante de vermelho (com exceção do rosa ao meio).

As chaves, pra quem gosta de misticismo, simbolizam o ‘abrir e fechar poderes’; para mim, elas apenas abrem e fecham portas, e eu gosto de seu desenho intrincado, principalmente o daquelas bem antigas, fazendo par com enormes cadeados. A do meio, aliás, é um chaveiro promocional do filme Piratas do Caribe, e foi um feliz achado na mesma loja de usados.

Quanto à flor-de-lis, eu gosto de seu desenho delicado, e é o símbolo do Québec, onde moro agora. Mas o seu significado mais forte para mim (que eu faria uma tatuagem, se tivesse coragem) é que ela era marcada a ferro no ombro dos condenados à morte, na França pré-revolucionária.

Agora, as imagens; comprei este set de cartões postais, com o tema de nus femininos. Porque, como já falei antes, adoro gente nua na História da Arte.😛

No canto superior esquerdo, A Grande Odalisca de Ingres, tendo logo abaixo A Toalete de Ester, de Chassériau. Decidi colocar entre elas a réplica de moeda chinesa como uma alusão ao orientalismo ao qual as duas pinturas fazem referência. Amei Ingres assim que pus os olhos nele, e desde que vi essa pintura da odalisca, o tema nunca mais me saiu da cabeça.

À direita, a Dânae de Klimt, tendo abaixo O Nascimento de Vênus, de Botticelli. Coloquei logo acima da primeira essa espiral dourada, um padrão bastante apreciado por Klimt; fazendo uma ligação com a Vênus, uma concha. Esta alude à forma como a deusa nasceu, da espuma do mar, mas também a uma leitura feita muito tempo atrás, onde o autor comparava a curva do corpo de Dânae a uma grande concha branca. Aliás, lembro-me de ter visto uma reprodução da Dânae de Klimt quando criança, e eu não entendia bem o que estava se passando ali…😛 O peixinho dourado à direita alude tanto ao ouro de Klimt quando ao mar de onde saiu a deusa da beleza.

Para completar a imagem de Botticelli, um cavalo-marinho e um olho-grego… porque a deusa é grega, embora eu tenha lido em algum canto que o olho-grego é na verdade turco. -_- Botticelli é outro pelo qual tenho amor imenso, desde que pus os olhos em sua Magnificat. Amo suas linhas sinuosas e rostos inefáveis; por mais que Leonardo tenha sido o gênio do Renascimento, para mim Botticelli é beleza pura.

Bem, acho que é isso… gostei muito de ter montado esse quadro, foi um bom exercício de composição. Espero ir mudando-o de tempos em tempos, e postando outras composições por aqui. Agora vou dormir.

 

 

 

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