Arrested Man

Segundo desenho da “série espanhola”; como já disse no post sobre a Guantanamera, agora que o curso de Francês acabou, começam os rabiscos nas apostilas do curso de Espanhol.

A folha é a de um trecho do livro Primavera de una esquina rota, de Mario Benedetti. Nele, uma menina fala do pai que está preso por suas ideias. Imediatamente, enquanto íamos lendo o texto compassadamente, naquele arrastar meio monótono de quem lê numa língua estranha as primeiras vezes, comecei a rabiscar a imagem deste pai prisioneiro.

Curiosamente, lembrei-me muito de outro livro famoso sobre prisão: Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos. E foi mais baseado na leitura desta obra que imaginei o personagem; cabeça raspada, lábios inexistentes, pulsos frágeis e olhar entre ansioso e desesperançado.

O que mais gostei, aqui, foi o conseguir afastar-se de mim mesma – ou seja, dos meus ideais ainda rígidos de beleza. Como deixei uma parte do texto aparente, coloquei esta textura envelhecida e manchada, para recordar, de leve, uma iluminura medieval.

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