A Barbarian To Call Him Mine

Fiquei em dúvidas se postava esta imagem, rabiscada hoje. Queria evitar as divagações sentimentais por aqui, e falar apenas de arte; mas é inevitável que esta mesma arte acabe afetada pela sensibilidade exarcerbada com que foi brindada a alma dos artistas. E artista me intitulo, por mais pretensioso que isto me soe. Paciência.

E como este é um “quarto de bagunça” onde somente poucos se aventuram, resolvi mandar às favas o decoro (nossa, adoro esta expressão) e escrever sobre e como bem entender.

Para mim, produzir arte é também fantasiar, voar para mundos existentes apenas em nossa imaginação esbraseada, sempre sôfrega do além, do distante, do mágico – a realidade, quase sempre, nos parece mesquinha, acinzentada e pobre.

Juntando-se a tudo isto está a solidão, uma solidão de anos, sempre envergonhada de si e da própria incompetência em relacionar-se; uma solidão arrastada pelos cantos, encolhendo-se para não ser vista, de vez em quando gemendo para ser novamente abafada. Solidão mastigada com a dor, uma dor tão funda, há tanto tempo escavando o coração, que este chega a doer de dor física.

E nestes tempos cheios de emos, desceram o sentimento de tristeza para o nível de draminhas adolescentes. Melancolia virou tema de musiquinhas pseudo-depressivas. Solidão virou desculpa para beicinhos de pedidos por atenção. Expressar qualquer tipo de infelicidade, agora, tornou-se vergonhoso; por isto há tantas dores caladas. Uma coisa horrorosa.

Por isto, sempre é melhor desenhar do que falar; as palavras são muito falhas para descrever o que nos vai na alma. Aqui, nada de mais; só tentando deixar a mão solta, inspirada em Bernini e seu magnífico aperto nas carnes tenras de Perséfone, assim como a bela rigidez dos músculos de Hades, que a carrega para um casamento forçado. Para o bárbaro, além da óbvia inspiração no deus grego já citado, um mix de dois “sonhos de consumo” masculinos que tenho: Sébastien Chabal e Techno Viking.

4 thoughts on “A Barbarian To Call Him Mine

  1. Já pensou em escrever, além de desenhar? está um pouco melancólica, mas o texto e a figura estão excelentes.

    Gosto muito como desenhas em tons escuros.

  2. A arte é ainda mais verdadeira e valiosa quando expressa aquilo que vem de dentro da alma do artista, independente de estilo, técnica, etc.
    Não se envergonhe de nada, Cynthia. Sei como é isso e o quanto as vezes o nosso trabalho é a melhor, por vezes a única, forma que temos para dizer ao mundo o que sentimos.
    E, como não resisto a tentação de quebrar a melancolia com um comentário irreverente, suponho que desta vez não haverá uma versão “forbidden” dessa arte…?😀

    • Hm, já me perguntaram o que é que o bárbaro “ia fazer depois” lá no DA…😛

      E mais uma vez obrigada pelo comentário, Emerson. Realmente, é para dar graças a Deus o fato de ter a arte na veia…

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